segunda-feira, 21 de novembro de 2011

- Você já tentou se suicidar?
- Não, mas quem sabe um dia.


domingo, 16 de outubro de 2011

Último romance

Eu encontrei quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
Antes um mês e eu já não sei

E até quem me vê lendo o jornal
Na fila do pão, sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena

Ah vai!
Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
Afim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia eu levo essa casa numa sacola

Eu encontrei e quis duvidar
Tanto clichê deve não ser
Você me falou pr'eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor

E só de te ver eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar

Ah vai, me diz o que é o sossego
Que eu te mostro alguém afim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar

domingo, 9 de outubro de 2011

Cotidiano vetorial


Precisava deixar de pensar nisso tudo por apenas um momento. Eram perto das oito da manhã e me encontrava em qualquer lugar. Fechei meus olhos. Imaginei um local deserto. Era a areia de uma praia.

Visualizei o mar e, quando isso aconteceu, esbocei um sorriso sincero e silencioso. Havia uma menina loira na minha frente. Olhou para mim e sorriu. Era ela. Sim, não tinha por que não ser ela.

Tive uma alegria sincera. Sentia a forma e a graça da areia caindo das minhas mãos. Uma leve brisa moldava os cabelos da menina loira. Estávamos sozinhos naquela imensidão amarela e azul, somente eu e ela. Falaria com ela. Ficaria com ela. Cheguei um pouco mais perto. Conseguia sentir seu perfume. Apenas mais um pouco...

Uma batida forte acabou por fazer abrir meus olhos.

Ao meu redor o caos. Gente Gritando, sentimentos vazios e solidão permanente. A vida volta ao seu rumo.

“Brisa do mar,Confidente do meu coração
Me sinto capaz de uma nova ilusão
Que também passará,
Como ondas na beira de um cais”
(Chico Buarque – Brisa do mar)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

 Sempre acabei por acreditar que no amor não existem casais nem triângulos amorosos. Apenas uma imensa fila indiana onde acabamos por desejar a pessoa que se encontra na nossa frente e ela acaba por desejar apenas ao seu similar logo á frente.
 A pessoa que gosta de mim encontra-se nas minhas costas e a pessoa que gosta dela é discernida em suas espaldas. Por isso, sempre acabamos gostando de quem vira às costas para nós. E o último da fila? Coitadinho, dele ninguém gosta.

domingo, 25 de setembro de 2011


A chuva acabou caindo em pingos grossos e uniformes, iniciando aquele barulho irritante naquele telhado improvisado. O rosto dela, iluminado por um holofote do outro lado da rua, se destacava daquele mundo de pessoas tristes. E talvez pelo batom vermelho ou a maquiagem borrada.

- Você ama alguém? – disse ela sem pensar muito.

- Hum.... acho que não.

E se eu realmente não fosse mentiroso...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Todo o amor que houver nessa vida


Saí sem olhar para trás. Alguns amigos não apoiaram minha idéia. Não foi premeditado. Apenas, eu não estava pronto para ver essa cena.

Liguei o carro. Lágrimas silenciosas começaram a escorrer pelo meu rosto. Minha menina-mulher tinha crescido. Mas ela ainda continuava com seu olhar firme e singelo, por aquele que acabei me apaixonando, e infelizmente, não tinha esquecido.

Liguei o som. Todo o amor que houver nessa vida. Melhor trilha-sonora impossível, Né? 

"Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia"

A estrada e eu éramos apenas um. Pensamentos voavam na minha cabeça numa velocidade incrível. Uma tarde no campo. Um vestido branco com laço vermelho. Flores. Vento. Amor. Tudo isso andava na minha cabeça de forma cintilante e era apenas um dos tantos dias que ficamos juntos.

"Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia"

De fato, a música era uma coisa terrível naquele momento. A declamação do amor eterno não é mais do que uma corrida contra o tempo e contra a vontade de uma pessoa. Ainda sozinho, o mundo girava.

"E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não"

Olhei pela janela. A ponte iluminada parecia um caminho a seguir. Uma necessidade primária que tinha que superar e suprir.

Fechei meus olhos por um instante. Gritei. Exclamei seu nome com todas minhas forças. Abri meus olhos.
A luz branca tomou conta de mim. Tranqüilidade. Não amor. Não sense. Próximo sentimento. 

"Eu quero a sorte de um amor tranqüilo..."

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Retalhos


- Como você acabou amando essa menina?

- Como assim? Sempre gostei dela.

- Não, não aquele amor que sentimos normalmente. Estou falando daquilo que sentimos dentro nosso. Aquilo que queima em nosso interior cada vez que estamos perto da pessoa, e que acaba por tornar cada momento vivido único.

- Ah, isso é bem fácil. Uns dois dias depois que a conheci, acabei por encontrar com ela perto da praça e ela disse que tinha bastante fome. Passamos por uma banquinha de cachorro-quente e ela pediu o seu sem salsicha.

- E...?

- E o quê? Qualquer um acaba se apaixonando por uma menina que pede um cachorro-quente sem salsicha.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Acabei. Um jato de esperma quente e morno atingiu a região vaginal da menina. Rosas, rosas vermelhas decoravam o local.

E numa manhã de domingo, ela começou a chorar.

domingo, 21 de agosto de 2011

Sinais de pertinência

Nós estávamos sozinhos. Sua respiração, até poucos instantes atrás ofegante, tinha voltado ao normal. Vestiu uma roupa qualquer e sem falar nada pra mim, pegou um cigarro e ficou olhando pela janela.

Eu não tinha nada a dizer. Estava deitado olhando pra ela. Na verdade, admirando aquele corpo moreno que até dois minutos atrás me pertencia. E ela, como se soubesse o que eu estava pensando, olhou para mim.

A fumaça do cigarro desenhava formas abstratas à sua frente. Vida ou morte? Apenas dor. A dor se fazia presente mais uma vez na minha frente e dessa vez parecia que não iria mudar nada tão cedo. Simplesmente tinha acontecido tudo embaixo do meu próprio nariz e nada nem ninguém iria mudar nada naquele outono.

“Poderia ficar a eternidade inteira olhando para você”.

Eu realmente tinha dito isso? Acredito que isso fez tudo acabar. Ela, menina morena de olhos cor escura e cabelos negros, não era o tipo de pessoa mole pela qual eu conquistaria novamente com palavras escritas em versos alheios. Nada iria sobressaltar essa mulher saída de um conto do Charles Bukowski. Ela sequer mudou de fisionomia ao ouvir minha declaração. Apenas tragou o cigarro mais uma vez, e voltou a admirar a chuva pela janela.

Sem dizer nada e efetuando o menor barulho possível, vesti minhas roupas e fui embora. Pretendia jamais voltar.

Acabei voltando apenas dois dias depois.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Estava deitado na cama. Nu. Pensando nas marcas de cigarro que eu já tinha fumado. Naquele estado de sonolência, não sabendo se estava dormindo ou acordado.

Camel. Dunhill Carlton. Free. Shelton...

- - Amor, estás acordado?

Lucky Strike. Malboro. Phillips Morris…

- - Amor? Amor?

LM. Hollywood…

- - Frederico?

Ela realmente conseguía me irritar. Aquele sorriso bonito e branco. O cabelo liso. Os seios fartos. Eu precisava ir embora.

Não respondi. Fechei os olhos. Pensei nos meus dezessete reais que tinha no bolso traseiro do meu jeans. Precisava comprar ração pro Mickey e Kurt Cobain e seu violão diziam ao fundo "I wish I was like you,easily amused find my nest of salt. Everything is my fault..."

A vida era triste e solitária.