domingo, 16 de dezembro de 2012

Tristessa


Terça-feira. 23:46.

Depois de toda aquela loucura, estava indo para casa. Tristeza, desencanto e falta de amor. Chorando, tive que dizer adeus.
Com o barulho que o trem fazia andando sob os trilhos, acabei adormecendo. Estava sozinho no vagão. Meus sapatos e minha pasta estavam velhos, tanto que a sola quase estava descolando. Preciso tomar cuidado quando sair do trem, afinal, se eu acabar correndo vou perder a porra da sola. Preciso do meu sapato para trabalhar amanhã. Preciso mesmo.
Senhor. Senhor. Está é a última estação, por favor desça e tome cuidado.
Ainda bem que era um guarda, pensei silenciosamente.
Parei na estação errada, precisava voltar uns 25 quarteirões. Será que ainda tem ônibus? Na avenida deve ter. Andei em silêncio.
Sentei no ponto de ônibus. Um velho estava ao meu lado. Parecia triste. A sujeira da cidade deixava ele triste. A garrafa de vinho que ele segurava também.
“Porra, nunca vou enteder ela. Nunca vou entender ninguém. Ela pode me pedir o que ela quiser e me pede um tempo! Que eu me afaste... não faz nenhum sentido.”
A escuridão da cidade acabou por me engolir...


3 comentários:

  1. Ia ler a primeira linha, mas li tudo e terminei querendo mais, coisa típica de quando somos captados por uma história bem contada. :)

    ResponderExcluir